terça-feira, maio 02, 2006

Saída de campo de 14/04 a 23/04/06: notas de campo.


Retornamos no domingo passado (23/04) de uma campanha de campo de 10 dias na região de Pinheiro Machado, por conta do Projeto Cardeal-Amarelo. Visitamos várias fazendas, lugares excelentes para o cardeal-amarelo, e não encontramos nada. Utilizamos playback, com a vocalização correta, e não obtivemos sucesso. Para não dizer que voltei de mãos abanando, consegui umas penas do peito de dois exemplares cativos que estão em Bagé, graças à disposição e boa-vontade do Oldair. A informação corrente é de que o bicho some nessa época do ano. Retornaremos lá em outubro para confirmarmos se ele realmente some em uma época do ano ou se ele já sumiu por completo daquelas paragens. Trabalhar com uma espécie ameaçada como essa, que é bastante visada como "pet", é quase como um trabalho de investigação. Muitas informações desencontradas, muito empirismo e nada de concreto. Estou registrando com cuidado o tipo de hábitat preferencial aqui no RS, o qual vou comparar com os dados a serem coletados no Uruguay e na Argentina. Mas acredito que o melhor a fazer é realmente estabelecer um programa oficial de reprodução em cativeiro do Gubernatrix cristata. Sei da existência de 1 macho em um criador conservacionista em Novo Hamburgo, alguns exemplares (não sei precisar quantos) em outro de Santa Maria e 5 em um terceiro criador de Gravataí. Esses cinco exemplares de Gravataí poderiam ser as primeiras matrizes para um programa de reprodução em cativeiro. No entanto a coleta de dados para o meu doutorado começou agora, ou seja, ainda não sabemos qual a variabilidade genética da espécie; se há fluxo gênico entre a população do RS (se é que ainda existe) e as do Uruguay e dessas com as da Argentina; se as diferenças observadas nos exemplares de cardeal-amarelo de cada um desses países somente se devem a fatores geográficos e de dialeto (no caso da vocalização) e não há problema nenhum em cruzar todos com todos, ou, se vale a pena preservar essa variabilidade e não cruzá-los entre si. Enfim, há ainda muita coisa para se descobrir, não só do ponto de vista genético, mas também comportamental, ecológico, reprodutivo, etc. Sem falar que não se pode pensar em um programa de conservação de uma espécie sem pensar em um programa de educação ambiental junto à comunidade de entorno e uma fiscalização bastante firme nas possíveis áreas de soltura. Ano passado fizemos um projeto-piloto de educação ambiental em uma escola municipal de Pinheiro Machado. Paramos por falta de verbas. Tenho idéia de usar rádio-telemetria em alguns exemplares de cardeal-amarelo para estudar território, área de vida, migração (?!), mas para isso precisamos ter uma área "segura" para trabalhar. Não existe nenhuma unidade de conservação na região. Tenho falado com estancieiros, que ainda não venderam suas terras para a Votorantim plantar eucalipto, para fazermos uma rede de RPPNs. Tem uma pessoa lá em Pinheiro Machado, o sr. Fernando, que está organizando a documentação para transformar parte de suas terras em RPPN. Há muito por fazer. E não temos mais tempo.

6 comentários:

Ismael Franz disse...

É isso aí Claiton e equipe,
desanimar - nunca!
É apenas o começo.
Estou desde abr/2005 "em busca" de uma espécie (Mackenziaena severa) aqui na escarpa e, até o momento, nada. Mesmo assim, continuo atrás e, tão cedo, não chegarei a conclusão de que o bicho se extinguiu na região.
Bola pra frente!

Cristian marcelo Joenck disse...

Claiton,
Parabéns pelo, já, sucesso de teu esforço! Me recordo de vc comentar sobre este teu projeto logo após a sua defesa do mestrado e vejo que já tens tudo para concluir grandes interpretações a respeito do status de conservação do cardeal-amarelo, aliado com o teu esforço de campo e pessoas cooperando contigo.
O Bloog com certeza será um meio de manter pessoas curiosas, simpatizantes e atentas a esse tipo trabalho, confesso que adicionei o teu bloogg no meu favoritos na Net. Parabéns, mais uma vez e muito sucesso neste e nos teus outros projetos.
Abração,
Cristian M. Joenck

Jorge L.B.Albuquerque disse...

Claiton:
Esta comecando a ficar emocionante a brincadeira...Pergunto: os cardeais gostam de que tipo de campo?? Campo sujo, ou limpo? Considerando as ameacas enfrentadas pela especie, a diminuicao de campos sujos podem de repente ser uma ameaca seria adicionada aos gaioleiros que saem sul afora atras dos cardeais..
Abracao e continua nos pondo ao par das tuas buscas..
Jorge

alvaro disse...

Hola,soy Alvaro Riccetto,vivo en Minas,Uruguay,y ofrezco enviarte la grabacion del canto de mi cardenal amarillo,para compararlo con el tuyo

Anônimo disse...

Ola, vai um link da sua entrevista para o jornal 1ª folha.... http://www.primeirafolha.com.br/edicao_1476/noticia02.htm

Abraço....
Davi Gomes... Summer Informática
davirenildo@terra.com.br

eder141 disse...

Sou de rio grande/rs, crio passaros silvestres, entre els o cardeal amarelo, a femea está no ninho, são 2 ovos, a postura comeõu em 30.10.2007, começa a eclodir os ovos a prtir do dia 11.11.2007, eder 53 30356262